Dez conselhos para quem quer lutar pelos seus direitos na Universidade

O professor Ricardo da Costa deu no seguinte texto uma série de dicas para quem deseja fazer um trabalho em um tema e, por algum motivo, professores universitários, coordenações de curso ou universidades rejeitam ou colocam entraves e mais entraves.

O texto foca na questão de trabalhos de História relacionados à Idade Média, sua área de domínio. Porém, a qualquer um são úteis as informações a seguir. E nunca opte pela décima opção!

Como se não bastasse a propaganda mentirosa que professores ensinam sobre a Idade Média, há mais isso: eu recebo, há tempos, e de várias partes, mensagens de alunos queixosos que desejam estudar o período medieval em seus trabalhos finais de graduação e são constrangidos por professores com discursos do tipo “É um trabalho difícil”, “Não há fontes disponíveis”, “Não há ninguém que possa te orientar nesse assunto”. Bem, eu sugiro aos interessados (QUE DESEJAM LUTAR PELOS SEUS DIREITOS) que:

(1) Tão logo ingressem em seu curso de graduação, peçam o seu Regimento Interno (que tem os direitos e deveres de alunos e professores). Leiam-no CUIDADOSAMENTE. Verão que, ao ingressar em sua universidade, os alunos têm direitos (e deveres, certamente). Um deles é a obrigação de a Instituição dar um orientador para o que você escolheu pesquisar;

(2) Ao solicitarem QUALQUER COISA à sua instituição, façam POR ESCRITO, com duas vias – uma para o órgão competente, outra para você (que deve ser assinada, carimbada e datada pelo funcionário que receber seu pedido);

(3) Há prazos institucionais para você receber sua resposta POR ESCRITO – e ela deve ter uma justificativa com base na Lei;

(4) Caso seu pedido seja negado, e com uma justificativa estapafúrdia – a parte interessada pode recorrer. ATÉ A REITORIA (e, caso seja uma federal, até o Supremo);

(5) Se a direção de seu curso disser que não há professores capazes de orientá-lo, diga ao chefe: “Não é culpa minha. É obrigação da Instituição prover meu desejo, de acordo com o item “x” da Resolução…;

(6) As universidades costumam estabelecer relações interinstitucionais entre elas. Para isso, basta o chefe de seu curso entrar formalmente em contato com o chefe da outra universidade (que tem um especialista em medieval) e solicitar a orientação. Com a Internet, tudo ficou mais fácil – pode haver (e há) orientação à distância;

(7) Por falar em Internet, quando alguma anta com título de doutor te disser que não há fontes disponíveis, mostre ao paquiderme as centenas de obras medievais traduzidas e publicadas NO BRASIL, ou os sites que disponibilizam os textos – só no meu site eu ofereço um monte (Veja em http://www.ricardocosta.com/textos);

(8) Acima de tudo, ESTUDE. Por conta própria. Não espere nada da universidade. NÃO ESPERE NADA DE NINGUÉM. NADA! Por exemplo, um bom começo: ESTUDE sua língua materna. Prepare-se. O início passa OBRIGATORIAMENTE pelo estudo da língua pátria. Não dá para lutar por direitos sendo uma pessoa semi-alfabetizada;

(9) Prepare-se para a luta. Tenha uma postura republicana, cívica;

(10) ALTERNATIVA: pare de reclamar e faça o que mandarem.

Abraço!

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