Por que [não] comungar de joelhos?

“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.
E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.”

Filipenses 2, 10-11

Nessas últimas semanas estive conversando e debatendo com várias pessoas a respeito da forma de se receber a Sagrada Comunhão.

Pretendo fazer neste post um apurado de fatos, argumentos e raciocínios sobre tal tema.

Rafael de Mesquita Diehl, no famoso site Salvem a Liturgia, escreveu um texto muito profundo que explana melhor a seriedade do tema.

Transcrevo aqui, trechos retirados do mesmo o qual acabara eu de citar.

No mistério da Sagrada Eucaristia, Deus fez algo mais excelso do que todas as obras da Criação, Deus fez com que a substância de pão e de vinho se transformasse em Si mesmo! […] Considerai que sob o véu do pão e do vinho, recebemos o mesmo Cristo nascido da Virgem Maria em Belém, padecido na Cruz, ressuscitado e que assentou-se glorioso à destra do Pai. Aquele que os profetas ardentemente e ansiosamente desejaram nós o agora o recebemos, fazendo de nosso corpo e nossa alma um Templo Sagrado.

Só mesmo uma bondade infinita, um amor supremo, poderia fazer ato de doação e caridade tão sublimes como é a Sagrada Eucaristia.

É o próprio Deus, que se entregou por nós, que está nos dando a oportunidade de O receber, como alimento da alma, como perfeita e salutar forma de aprimoramento pessoal, nutrição espiritual, remissão dos pecados veniais, proteção contra os vícios e pecados mortais e de Salvação, pois quem não comer do Seu corpo e não beber do Seu sangue não terá a vida
eterna, visto que Seu corpo é verdadeira comida e Seu sangue, verdadeira bebida. (Jo VI)

A Sagrada Comunhão, alimento da alma, é o próprio Cristo Jesus. Quando comungamos, estamos a comer o próprio Corpo e Sangue do Filho de Deus! O próprio Senhor.

O bem produzido em nós pela Sagrada Eucaristia é imensurável, entretanto, ai de quem A receber indevidamente. Estará comendo a própria condenação. É, portanto, melhor abster-se de comungar enquanto não se confessa e recebe-se o perdão de Deus através do sacerdote pelo sacramento da Confissão.

Quando, enfim, se estiver em comunhão com a Igreja, pode-se, e deve-se, receber o Pão vivo descido do Céu.

Continue lendo o post (clique em mais) e saiba o porquê de se comungar de joelhos e, principalmente, porquê não de outra forma.

Mas como comungar? De qualquer maneira? Vestido de qualquer forma?

Obviamente, a resposta é negativa para ambas as perguntas.

Apenas com o rápido tratado feito por mim, alguns parágrafos atrás, já é possível perceber a importância e tamanha seriedade do assunto, entretanto aprofundaremo-nos mais ainda no tema.

Inicialmente analisemos a última pergunta. E, para tanto, façamos uma outra: se você fosse se apresentar a um primeiro-ministro, rei, presidente ou mesmo um parente distante, você o faria semi-nu ou vestido indecorosamente?

Qualquer um, em sã consciência, certamente responderia que não.

Mas então, por que ir ter com o Senhor vestido de tal forma?

É curioso observar que são essas mesmas pessoas que vestem-se mal para comungar, que gastam bastante dinheiro para comprar roupas e sapatos de qualidade para se vestir bem quando forem “sair”, para uma festa, por exemplo.

Creio que seja por ignorância. Devido a uma catequese mal feita combinado com um certo desinteresse em aprender mais sobre a doutrina católica e, de forma mais especial e específica, sobre a Eucaristia.

Não é admissível que uma pessoa que tenha condições de se trajar bem vista algo desleixo para ir a Santa Missa e ainda comungar.

Os trajes que usamos importam, mas a nossa postura, estado de reconhecimento de nossa pequenez também, e até mais.

O celebrante, seja padre ou bispo, é consagrado. Os objetos litúrgicos envolvidos na Transubstanciação também o são.

Reparem que até mesmo o zelo pelos objetos é de suma importância, muito maior deve ser o zelo das pessoas que participarão ativamente deste singular Mistério que é o da Eucaristia.

As duas razões principais por querer-se que se comungue ajoelhados são as seguintes:

  • Evitar que fragmentos fossem dispersos nas mãos do povo.
  • A segunda, não menos importante que a primeira, é auxiliar no desenvolvimento da devoção e do amor dos fiéis perante a presença real de Jesus Cristo, em Corpo e Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia.
Desde os primórdios da Igreja, pode-se afirmar, baseado em evidências da história da mesma, que a Hóstia consagrada era dada aos fiéis já com esta piedosa prática de comungar on knees, ou seja, de joelhos.

Não por acaso, cada vez mais foi-se preferindo que os fiéis comungassem de joelhos, motivos os quais foram citados acima.

O então Cardeal Ratzinger havia afirmado que “a Comunhão alcança a sua profundidade somente quando é sustentada e compreendida pela adoração” (Introdução ao Espírito da Liturgia).

Por isso, considerava que a “prática de ajoelhar-se para a santa Comunhão tem a seu favor séculos de tradição e é um sinal de adoração particularmente expressivo, totalmente apropriado à luz da verdadeira, real e substancial presença de Nosso Senhor Jesus Cristo sob as espécies consagradas” (cit. na Carta This Congregation da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, de 1 de Julho de 2002). [in Christus Vinchit, o destaque é meu]

Um dos maiores doutores, não só da Igreja, mas também da Filosofia e da humanidade como um todo, Santo Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica, também trata sobre o respeito devido ao sacramento do pão que contém todo sabor.

Afirma ele que o Corpo de Cristo “não é tocado por nada que não esteja consagrado: e, por isso, estão consagrados o corporal, o cálice e também as mãos do sacerdote, para poder tocar este sacramento. A nenhum outro, portanto, é permitido tocá-Lo, fora de casos de necessidade: se, por exemplo, estivesse para cair no solo ou noutras contigências similares” (Summa Theologiae, III, 82, 3).

Sem mais, Meretíssimo! O texto é claríssimo.

Este mesmo genial santo escreveu um dos mais belos cânticos em homenagem à Sagrada Eucaristia, é o Adoro Te Devote, que inspirou e ensinou a muitos.

Visus, tactus, gustus in Te fallitur,
Sed auditu solo tuto creditur
Credo quidquid dixit Dei Filius
Nil hoc verbo veritatis verius.

Outro admirável sábio e doutor da Igreja, Santo Agostinho, nos deixou o seguinte ensinamento em forma de ordem “que ninguém coma dessa carne sem antes ter A adorado”, referindo-se à Sagrada Eucaristia.

Temos, pois, que reconhecer que somos mendigos sentados à mesa de um Rei.

Não somos, nem seremos, iguais a Nosso Senhor Jesus Cristo, por que, então, querer ficar em pé na hora da comunhão como se estivéssemos conversando com um colega sobre o resultado do jogo de ontem?

Por que receber a Santa Hóstia Consagrada na mão, a tocando como quem toca um alimento qualquer, como se as mãos de qualquer fiel fossem consagradas, tivessem o sinal indelével do Sacramento da Ordem?

Tendo compreendido quão inefável é o Sacramento do Altar repito a domanda que entitula esta postagem: por que não comungar de joelhos?

Será que é muito? Será que dói? Será que é vergonhoso receber dignamente o Senhor?

Qual parte de “ISTO É O MEU CORPO” você não entende?

What part of “HOC EST ENIM CORPUS MEUM” don’t you understand?

Não engulo o pseudo-argumento de que “não é preciso”.

Pois ainda que isso fosse um argumento, seria o mais ignóbil que poderia ser dito. Pior é ouvir isso de quem não vê problema algum em, numa Missa, dançar, pular, passear pela capela e cometer outras barbaridades contra a Liturgia.

Agora, eu pergunto: cantar “parabéns para você” durante uma Missa, é preciso? Tenha a santa paciência!

Quando for receber a Sagrada Eucaristia, recebei-A com bastante respeito, humildade e reverência, pois terás em você Aquele que o Universo todo não pode conter e que vem in our hearts to dwell, como disse Stan Fortuna.

Termino postando mais um trecho do excelente texto de Rafael de Mesquita Diehl:

“Reconhece-te pequeno diante do Senhor, deixai-te alimentar qual uma criança, pois se não te fizerdes criança não poderás entrar no Reino de Deus!

Comunga sempre como se fosse a última comunhão de tua vida, e tratai ao Senhor com a mesma adoração e reverência que o faria se o visse vindo em Sua glória sobre as nuvens do Céu, escoltado pelas milícias celestes.

[…] Por fim, paguemos amor com amor, recebendo com muito amor Aquele que nos amou primeiro e, amando-nos, amou-nos até o fim.”

Que a Virgem Maria, Mãe do Verbo de Deus, rogue por todos nós e, de forma especial, por todos aqueles que não compreendem o valor indizível e imensurável que possui a Majestosa Eucaristia.

Laus tibi, Christe!

Louvor a Deus Sacramentado!

___________________________________

Referências

1. Comunhão na boca e de joelhos – http://christusvinchit.blogs.sapo.pt/91960.html;

2. Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice (www.vatican.va);

3. Fortuna, Stan – Gift os finest Wheat (letra);

4. Diehl, Rafael de Mesquita – Reflexões sobre a Sagrada Comunhão;

5. Aquino, Santo Tomás de – Suma Theologiæ;

6. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Scaramentos – Redemptionis Sacramentum.

7. João Paulo IIEcclesia de Eucharistia;

8. Schneider, Monsenhor Athanasius – “Contra a comunhão na mão”, disponível em Associação Cultural Montfort;

9. Bento XVI restaura a comunhão de joelhos;

10. Com citações de Guido Marini – Comunhão de joelhos: Vaticano explica regresso de prática nas celebrações presididas pelo Papa.

11. Anjos de Resgate – Majestosa Eucaristia;

12. Hollings, Michael – A Catholic Prayeer book – [trecho do] Tantum Ergo;

13. Ratzinger, Joseph – Introdução ao Espírito da Liturgia.



Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s